domingo, 25 de julho de 2010

Mesmo assim não sei cantar

Há tantos cantores de fama
Do presente e do passado
Na Mouraria e em Alfama
Já ouvi cantar o fado

O fado não é estranho
Canta-se em todo o lado
Eu nem uma cantiga arranho
Eu não sei cantar o fado

Cantar o fado gingão
Cantar o fado corrido
Ou uma simplea canção
Mesmo isso não consigo

Se a isso me obrigam
Tenho que dar um jeitinho
Com jeito talvez consiga
Cantar o fado sózinho

Se houver fadista presente
Talvez me possa ensinar
Eu ficarei todo contente
Talvez eu possa cantar

Á viola e á guitarra
Videira e Armando a tocar
Com uma cantiga bizarra
Mesmo assim não sei cantar.

Autor Jaime S. Guerreiro
18/7/2010

sábado, 15 de maio de 2010

o ceguinho

Olho para o espelho 1º poema 2004

e não me vejo

não sinto amor

não sinto desejo

não sei quem sou

nem de onde venho

nem para onde vou

não vejo os gestos dos meus braços

não vejo as marcas dos meus passos

não vejo a luz da lua

não vejo o barco que flutua

não vejo a sombra das árvores

essa sombra transparente

minha visão está ausente

sinto esta dor no coração

agarei-me á oração

e a tudo quanto é crença

pedi aos medicos e á ciencia

e também pedi a deus

pedi a amigos meus

que me dessem um conselho

e agora já vejo

quando olho para o espelho.

JSGuerreiro